Serrilha - Coisas que me deixam feliz

de Vicq

Tive o prazer de participar de um workshop com o designer turbo talentoso Roberto de Vicq de Cumptich no fim da faculdade e desde então venho acompanhando seu trabalho.

Morando há alguns anos em Nova York, de Vicq faz parte do conselho do Type Directors Club e está por trás de diversas capas de livro que exploram a tipografia e o lettering como ilustração.

Além de suas capas, Roberto já publicou 2 livros: Bembo Zoo e Men of Letters & People of Substance em que utiliza caracteres para fazer ilustrações tipográficas.

p.s. olhando com carinho minha capa para Madame Bovary feita no workshop até que dá um caldo.

elementos do estilo tipográfico na internet

Apesar de todo o estardalhaço sobre o fim do livro impresso, às vezes acontece o caminho inverso.

Com os avanços tecnológicos finalmente os web designers podem abraçar a tipografia em quase toda a sua amplitude. Para tentar evitar composições bizarras, o designer Richard Rutter resolveu transpor o conteúdo do clássico do design Elementos do Estilo Tipográfico para a internet.

Em The Elements of Typographic Style Applied to the Web, Rutter explica como utilizar html e css para compor textos onde a tipografia honre o conteúdo, como diria o autor do livro Robert Bringhurst. O site está em processo de construção desde 2005, então vale assinar o RSS para saber quando novas sessões foram adicionadas.

via diabrura

epílogo

Nesses últimos dias tenho visto muitas coisas interessantes sobre livros então decidi aproveitar essa semana e postar tudo que li sobre o tema.

Para começar o documentário Epilogue: The Future of Print, um filme adorável feito por Hanah Ryu Chung como projeto de graduação. No filme, Chung entrevista impressores, livreiros e artistas de Toronto que discutem e levantam questões sobre o futuro do impresso e do livro.

Esse debate já está rolando há alguns anos, desde a massificação da internet e o surgimento dos leitores eletrônicos, mas sinceramente eu acho que a palavra impressa tem uma natureza tátil e um charme que é difícil de substituir.

nos letreiros

Handpainted type é um projeto bacana do designer Hanif Kureshi que busca preservar a arte dos pintores de letreiros na Índia. Os letreiros fazem parte da paisagem indiana junto com o trânsito caótico e a exuberância de cores.

Muitos pintores tem abandonado seu ofício, ameaçados pela facilidade e rapidez de produção dos bureaus que fazem banners de qualidade duvidosa e sem nenhum charme.

Kureshi não apenas documenta como também digitaliza as tipografias dando metade da renda obtida com a venda da fonte para o pintor e utilizando a outra metade para a manutenção do projeto.

O bacana é que ao invés de oferecerem variações de peso, as fontes possuem diferentes níveis de cores e ornamentos se aproximando assim da aparência original da tipografia nos letreiros com tridimensionalidade, sombras e contorno bem marcado.

Herb Lubalin

O segundo livro que me fez tirar dinheiro do porquinho foi Herb Lubalin: American Graphic Designer, 1918–81. Eu já declarei meu amor pelo barbudo algumas vezes aqui no serrilha e essa admiração começou quando ele se tornou tema do meu projeto de conclusão na faculdade.

Para mim, Herb Lubalin junto com Saul BassPaul Rand e Alvin Lustig representam o fino do design americano.

Entre as coisas que aprecio no trabalho de Lubalin é que ele abandona regras básicas da tipografia e enxerga os caracteres como formas e comunicadores de mensagens.

A tipografia é arranhada, dobrada, rasgada para transmitir uma ideia ou introduzir o inesperado à página impressa. Em seus typograms, conceito e forma visual eram unidos em breves poemas tipográficos.

Lubalin argumentava: “Nós fomos condicionados a ler da maneira que Gutenberg organizava seus tipos, e por quinhentos anos as pessoas vêm lendo letras excessivamente espacejadas em linhas horizontais, que Gutenberg espacejava muito distantes umas das outras… Nós lemos palavras, não caracteres, e colocar as letras mais próximas ou apertar o espaço entrelinhas não destrói a legibilidade; simplesmente muda os hábitos de leitura”.

Herb Lubalin: American Graphic Designer, 1918–81 foi escrito por Adrian Shaughnessy e publicado pela Unit Editions, são 448 páginas ilustradas por centenas de trabalhos de Lubalin. Se você também quer ser feliz, é possível comprar o livro aqui.

p.s. Eu não perderia a oportunidade já que o último livro sobre o designer foi lançado em 1985. O clássico raro é vendido em leilões esporádicos e a preços absurdos via ebay.

bienal tipos latinos

Esse ano, além de ser ano bissexto, é ano de Bienal Tipos Latinos. Iei! Em sua quinta edição, a Bienal acontecerá simultaneamente em 13 países entre abril e junho de 2012 e, além da mostra, palestras, oficinas e debates complementarão a exposição principal.

O objetivo da Bienal é ser um espaço para encontro e divulgação do design tipográfico desenvolvido na América Latina. Entre os envolvidos na organização dessa edição estão os talentosos (e igualmente queridos) Bruno Porto, Fabio Lopez, Luciano Cardinali e Marina Chaccur, uma garantia de que vem coisa boa por aí.

uma coleção de stills

O site Movie Titles Stills Collection, curado pelo designer Christian Annyas, é uma fonte de inspiração infinita.

Nessa lindeza de site você pode ver os créditos de abertura e encerramento de diversos títulos desde 1919 até os dias de hoje.

Como já diz a descrição, o Movie Titles Stills Collection, não tem o objetivo de ser uma coleção megalomaníaca de todos os filmes do mundo e, sim, um apanhado dos filmes assistidos por Annyas.

É curioso observar, através dos stills, as escolhas tipográficas ao longo das décadas.

caracteres

da série: coisas que me deixam feliz.

Vídeo absolutamente lindo do Studio Tricolore pintando letras em um mural de 3,5 × 20 metros para o Movimento Emmaüs, uma instituição de caridade internacional francesa fundada para combater pobreza.

Cada letra do mural representa uma proposta do Movimento:
E = Ecologia (écologie), M = Diversidade (mixité), M = Movimento (mouvement) , A = Alternativa (alternative), U = Utopia (utopie) e S= Solidariedade (solidarité).