nos bastidores
da série: coisas que me deixam feliz.
Editores, designers e diretores criativos da Random House e os bastidores da publicação de um livro.
da série: coisas que me deixam feliz.
Editores, designers e diretores criativos da Random House e os bastidores da publicação de um livro.
Nesse vídeo feito pela Gestalten TV em 2008 para divulgar o livro Fully Booked: Cover Art and Desgin for Books, a editora entrevista o designer David Pearson, responsável pela série Great Ideas da Penguin e o diretor de arte da Penguin Jim Stoddart.
O livro Fully Booked contém uma seleção de projetos que, não só são graficamente consistentes e sofisticados, como também experimentam com as páginas impressas e vão além dos limites do design de livro convencional levando o design editorial a outro patamar.


No último sábado, eu tive um dia adorável flanando pelo centro do Rio e terminei meu passeio na antiga fábrica da Bhering. Para ser mais precisa, tomando uma cerveja, comendo biscoito Globo e vendo a porradaria comer solta entre as pipas no terraço onde fica A Bolha Editora.
Projeto de Rachel Gontijo, A Bolha surgiu ano passado e publica e vende títulos nacionais e importados com o fino da literatura, quadrinhos e zines independentes. Tudo isso com um cuidado gráfico e carinho que vi poucas vezes. O que torna o fato dos livros serem entregues em embalagens de padaria, com os dizeres “feito com carinho” e “servimos bem para servir sempre” mais do que acertada.




São muitos caixotes amarelos recheados de guloseimas visuais, mas o livreto que ganhou meu coração logo que cheguei lá foi Vá para o Diabo, do argentino Federico Lamas. Além dos desenhos serem turbo bacanas, você ainda tem direito a acessar a visão do capeta utilizando o “visor infernal” que vem junto com o livro.



O segundo livro que me fez tirar dinheiro do porquinho foi Herb Lubalin: American Graphic Designer, 1918–81. Eu já declarei meu amor pelo barbudo algumas vezes aqui no serrilha e essa admiração começou quando ele se tornou tema do meu projeto de conclusão na faculdade.
Para mim, Herb Lubalin junto com Saul Bass, Paul Rand e Alvin Lustig representam o fino do design americano.

Entre as coisas que aprecio no trabalho de Lubalin é que ele abandona regras básicas da tipografia e enxerga os caracteres como formas e comunicadores de mensagens.
A tipografia é arranhada, dobrada, rasgada para transmitir uma ideia ou introduzir o inesperado à página impressa. Em seus typograms, conceito e forma visual eram unidos em breves poemas tipográficos.




Lubalin argumentava: “Nós fomos condicionados a ler da maneira que Gutenberg organizava seus tipos, e por quinhentos anos as pessoas vêm lendo letras excessivamente espacejadas em linhas horizontais, que Gutenberg espacejava muito distantes umas das outras… Nós lemos palavras, não caracteres, e colocar as letras mais próximas ou apertar o espaço entrelinhas não destrói a legibilidade; simplesmente muda os hábitos de leitura”.

Herb Lubalin: American Graphic Designer, 1918–81 foi escrito por Adrian Shaughnessy e publicado pela Unit Editions, são 448 páginas ilustradas por centenas de trabalhos de Lubalin. Se você também quer ser feliz, é possível comprar o livro aqui.
p.s. Eu não perderia a oportunidade já que o último livro sobre o designer foi lançado em 1985. O clássico raro é vendido em leilões esporádicos e a preços absurdos via ebay.

Dois livros lançados semana passada fizeram minha mão coçar. O primeiro deles foi O Design de Bea Feitler publicado pela Cosac Naify.
Escrito e organizado pelo historiador Bruno Feitler e com análise gráfica de André Stolarski, o livro tem importância histórica não só por trazer a tona o trabalho pouco conhecido da designer aqui no Brasil como também, reflete um pouco da época de atuação de Bea.

Bea Feitler estudou na Parsons School of Design em Nova York e em seu retorno ao Brasil trabalhou rapidamente na revista Senhor, fez cartazes para teatro e produziu capas de livro para a Editora do Autor. De volta a Grande Maçã, foi trabalhar como assistente na revista de moda Harper’s Bazaar sendo promovida a codiretora de arte aos 25 anos.



Além da Bazaar, Bea esteve envolvida com diversas revistas, entre elas a Rolling Stone, Vanity Fair e a Ms., revista do movimento de liberação feminina durante a décade de 70.


Feitler utilizava a tipografia para fazer narrativas visuais e tinha um olhar afiado para o uso da fotografia, tanto na produção como na edição de imagens. Bea morreu aos 44 anos deixando um corpo de trabalho impressionante, vale a compra com certeza.
Apesar de já estar circulando há algum tempo pela internet, ainda não tinha tido tempo de assistir a palestra do designer Craig Mod na Build Conference do ano passado.
No domingo, separei 40 minutos para ouvir Mod falar sobre as diferenças físicas e emocionais entre livros impressos e digitais, a importância da sensação de curadoria em meio a abundância de conteúdo e abordagens para o futuro das publicações físicas e digitais. Vale cada minuto!






A editora GraphicDesign& criada por Lucienne Roberts e Rebecca Wright pretende explorar como o design gráfico pode se relacionar com outras áreas de conhecimento.
Em seu livro Page 1: Great Expectations as moçoilas convidaram 70 designers a dar sua interpretação da primeira página do livro Grandes Esperanças de Charles Dickens.
Cada um dos designers tinha direito a 2 páginas duplas: uma com seu nome e design e outra destinada a conceituação do layout, além das especificações de tamanho e escolha tipográfica.
Eu sou suspeita porque amo esse livro, mas essa edição recheada de primeiras páginas parece apetitosa, alternando momentos de desafio e celebração das convenções do design editorial.







A série Subway, feita pelo fotógrafo Bruce Davidson na primavera de 1980 no metrô de Nova York é impressionante. As fotos são um retrato da realidade da cidade na época. Tempo em que os vagões eram dominados pelo grafite e pela falta de segurança.
Nesse vídeo feito pela Tate, lugar onde descobri o autor das fotos que circulavam pelos tumblrs, Davidson fala da sua proposta com as fotos: transformar o metrô de um lugar degradado, impessoal e violento em imagens que passassem as cores e vitalidade das pessoas que ele transportava diariamente.
A série Subway rendeu um livro publicado em 1986 e re-editado ano passado em comemoração aos seus 25 anos.
visto no sempre ótimo The Casual Optimist.
*bônus* Com uma abordagem menos profissional e bem humorada, o Soninho do Trem do meu amigo Wolmin retrata o pessoal dormindo nos trens, ônibus e metrôs do Rio.
Publicados pela KesselsKramer Publishing, braço editorial da agência de publicidade KesselsKramer, os livros In almost every picture, são de dar gosto. São livretos recheados com fotografias cotidianas compradas em mercados de pulga – imagens que foram esquecidas, reencontradas e reinterpretadas.
Entre meus favoritos estão os números 6 e 7 que mostram o passar do anos para duas mulheres de maneira distinta.






Em um deles acompanhamos a trajetória de uma mulher, de 1936 até 2009, com uma arma na mão. A cada vez que acerta o alvo no estande de tiro do parque de diversões ela ganha uma foto.
No outro, a biografia é contada através de fotos em preto e branco tiradas em uma cabine. As imagens nos mostram a mesma pessoa por cerca de 60 anos e apesar das suas mudanças físicas sua expressão se mantém a mesma.



p.s. estou enrolando com esse post desde 27 de março, que vergonha! Em tempo, o blog da Creative Review tem uma ótima matéria sobre Erik Kessels.






Ainda não tive o prazer de ter essa pepita em mãos, mas certamente o recém lançado Linha do tempo do design gráfico no Brasil será minha próxima aquisição.
Trata-se de uma pesquisa de três anos que reúne e organiza dois séculos de produção gráfica no país compondo sua narrativa com livros, cartazes, capas de disco e revistas.
Com prefácio de Steven Heller e organização de Chico Homem de Melo e da designer fera Elaine Ramos, que também é responsável pelo projeto gráfico, o livro de 700 páginas vem com uma sobrecapa que pode ser montada de quatro formas diferentes.
Um registro valioso e mais que necessário da cultura visual brasileira.