Serrilha - Coisas que me deixam feliz

de Vicq

Tive o prazer de participar de um workshop com o designer turbo talentoso Roberto de Vicq de Cumptich no fim da faculdade e desde então venho acompanhando seu trabalho.

Morando há alguns anos em Nova York, de Vicq faz parte do conselho do Type Directors Club e está por trás de diversas capas de livro que exploram a tipografia e o lettering como ilustração.

Além de suas capas, Roberto já publicou 2 livros: Bembo Zoo e Men of Letters & People of Substance em que utiliza caracteres para fazer ilustrações tipográficas.

p.s. olhando com carinho minha capa para Madame Bovary feita no workshop até que dá um caldo.

elementos do estilo tipográfico na internet

Apesar de todo o estardalhaço sobre o fim do livro impresso, às vezes acontece o caminho inverso.

Com os avanços tecnológicos finalmente os web designers podem abraçar a tipografia em quase toda a sua amplitude. Para tentar evitar composições bizarras, o designer Richard Rutter resolveu transpor o conteúdo do clássico do design Elementos do Estilo Tipográfico para a internet.

Em The Elements of Typographic Style Applied to the Web, Rutter explica como utilizar html e css para compor textos onde a tipografia honre o conteúdo, como diria o autor do livro Robert Bringhurst. O site está em processo de construção desde 2005, então vale assinar o RSS para saber quando novas sessões foram adicionadas.

via diabrura

fully booked

Nesse vídeo feito pela Gestalten TV em 2008 para divulgar o livro Fully Booked: Cover Art and Desgin for Books, a editora entrevista o designer David Pearson, responsável pela série Great Ideas da Penguin e o diretor de arte da Penguin Jim Stoddart.

O livro Fully Booked contém uma seleção de projetos que, não só são graficamente consistentes e sofisticados, como também experimentam com as páginas impressas e vão além dos limites do design de livro convencional levando o design editorial a outro patamar.

nA Bolha

No último sábado, eu tive um dia adorável flanando pelo centro do Rio e terminei meu passeio na antiga fábrica da Bhering. Para ser mais precisa, tomando uma cerveja, comendo biscoito Globo e vendo a porradaria comer solta entre as pipas no terraço onde fica A Bolha Editora.

Projeto de Rachel Gontijo, A Bolha surgiu ano passado e publica e vende títulos nacionais e importados com o fino da literatura, quadrinhos e zines independentes. Tudo isso com um cuidado gráfico e carinho que vi poucas vezes. O que torna o fato dos livros serem entregues em embalagens de padaria, com os dizeres “feito com carinho” e “servimos bem para servir sempre” mais do que acertada.

São muitos caixotes amarelos recheados de guloseimas visuais, mas o livreto que ganhou meu coração logo que cheguei lá foi Vá para o Diabo, do argentino Federico Lamas. Além dos desenhos serem turbo bacanas, você ainda tem direito a acessar a visão do capeta utilizando o “visor infernal” que vem junto com o livro.

o design de Bea Feitler

Dois livros lançados semana passada fizeram minha mão coçar. O primeiro deles foi O Design de Bea Feitler publicado pela Cosac Naify.

Escrito e organizado pelo historiador Bruno Feitler e com análise gráfica de André Stolarski, o livro tem importância histórica não só por trazer a tona o trabalho pouco conhecido da designer aqui no Brasil como também, reflete um pouco da época de atuação de Bea.

Bea Feitler estudou na Parsons School of Design em Nova York e em seu retorno ao Brasil trabalhou rapidamente na revista Senhor, fez cartazes para teatro e produziu capas de livro para a Editora do Autor. De volta a Grande Maçã, foi trabalhar como assistente na revista de moda Harper’s Bazaar sendo promovida a codiretora de arte aos 25 anos.

Além da Bazaar, Bea esteve envolvida com diversas revistas, entre elas a Rolling Stone, Vanity Fair e a Ms., revista do movimento de liberação feminina durante a décade de 70.

Feitler utilizava a tipografia para fazer narrativas visuais e tinha um olhar afiado para o uso da fotografia, tanto na produção como na edição de imagens. Bea morreu aos 44 anos deixando um corpo de trabalho impressionante, vale a compra com certeza.

arestas e fronteiras

Apesar de já estar circulando há algum tempo pela internet, ainda não tinha tido tempo de assistir a palestra do designer Craig Mod na Build Conference do ano passado.

No domingo, separei 40 minutos para ouvir Mod falar sobre as diferenças físicas e emocionais entre livros impressos e digitais, a importância da sensação de curadoria em meio a abundância de conteúdo e abordagens para o futuro das publicações físicas e digitais. Vale cada minuto!

no vagão

A série Subway, feita pelo fotógrafo Bruce Davidson na primavera de 1980 no metrô de Nova York é impressionante. As fotos são um retrato da realidade da cidade na época. Tempo em que os vagões eram dominados pelo grafite e pela falta de segurança.

Nesse vídeo feito pela Tate, lugar onde descobri o autor das fotos que circulavam pelos tumblrs, Davidson fala da sua proposta com as fotos: transformar o metrô de um lugar degradado, impessoal e violento em imagens que passassem as cores e vitalidade das pessoas que ele transportava diariamente.

A série Subway rendeu um livro publicado em 1986 e re-editado ano passado em comemoração aos seus 25 anos.

visto no sempre ótimo The Casual Optimist.

*bônus* Com uma abordagem menos profissional e bem humorada, o Soninho do Trem do meu amigo Wolmin retrata o pessoal dormindo nos trens, ônibus e metrôs do Rio.

tom gauld

Eu completamente amo o trabalho do cartunista e ilustrador escocês Tom Gauld. Suas tiras semanais na sessão de cultura do Guardian tem sempre uma dose de humor e perspicácia que são peculiares ao rapazinho.

Além das tiras semanais, Gauld lançou há pouco o livro Goliath, onde ele inverte a perspectiva da história de David e Golias e passamos a acompanhar o gigante ao longo das páginas.

Junto com sua amiga Simone Lia, Gauld tem a editora Cabanon Press que publicou alguns de seus livros mas que atualmente está em hiato.

Dá para ver mais de seus desenhos no flickr.

em quase todas as fotos

Publicados pela KesselsKramer Publishing, braço editorial da agência de publicidade KesselsKramer, os livros In almost every picture, são de dar gosto. São livretos recheados com fotografias cotidianas compradas em mercados de pulga –  imagens que foram esquecidas, reencontradas e reinterpretadas.

Entre meus favoritos estão os números 6 e 7 que mostram o passar do anos para duas mulheres de maneira distinta.

Em um deles acompanhamos a trajetória de uma mulher, de 1936 até 2009, com uma arma na mão. A cada vez que acerta o alvo no estande de tiro do parque de diversões ela ganha uma foto.

No outro, a biografia é contada através de fotos em preto e branco tiradas em uma cabine. As imagens nos mostram a mesma pessoa por cerca de 60 anos e apesar das suas mudanças físicas sua expressão se mantém a mesma.

p.s. estou enrolando com esse post desde 27 de março, que vergonha! Em tempo, o blog da Creative Review tem uma ótima matéria sobre Erik Kessels.