Serrilha - Coisas que me deixam feliz

typographische monatsblätter

Eu me derreto pela internet quando me deparo com uma pepita como essa: um site/arquivo com as capas da revista Typographische Monatsblätter das década de 60 a 90.

Essa extensa pesquisa sobre a publicação suíça foi feita pela designer Louise Paradis como parte do seu mestrado na ECAL.

No site, você pode buscar as capas por designer, ver a tipografia utilizada e ler entrevistas com designers e colaboradores. Todas as edições disponíveis no site pertencem a coleção de Jean-Pierre Graber, editor da TM por 20 anos.

Prepare-se para perder algumas horas explorando essa lindeza.

sem lei

Para entrar no clima do filme Lawless, que fala sobre irmãos que durante a Lei Seca fabricavam e vendiam bebidas ilegalmente, o diretor de criação Paul Willoughby e o time de designers da Little White Lies entalharam e imprimiram a capa e aberturas de sessão da revista em xilogravura.

Para nossa alegria, o pessoal fez um vídeo com o processo de gravação das imagens que de bônus ainda tem uma trilha sonora fina composta por Willoughby.

de Vicq

Tive o prazer de participar de um workshop com o designer turbo talentoso Roberto de Vicq de Cumptich no fim da faculdade e desde então venho acompanhando seu trabalho.

Morando há alguns anos em Nova York, de Vicq faz parte do conselho do Type Directors Club e está por trás de diversas capas de livro que exploram a tipografia e o lettering como ilustração.

Além de suas capas, Roberto já publicou 2 livros: Bembo Zoo e Men of Letters & People of Substance em que utiliza caracteres para fazer ilustrações tipográficas.

p.s. olhando com carinho minha capa para Madame Bovary feita no workshop até que dá um caldo.

receita sem medida

Há algumas semanas entrou no ar o Receita Sem Medida. Trata-se de uma série de programetes de culinária onde, em menos de 5 minutos, Dona Gessy nos ensina, sem muita precisão mas no melhor estilo feito em casa, os estandartes da cozinha mundial.

O Receita é um trabalho feito com amor entre amigos, dirigido e editado por Tatiana Cockell, com motion design de Mônica Puga e letterings e pequenas ilustrações feitas por mim (ouié!).

cartazista

Sexta foi meu último dia de trabalho e, agora que estou indo seguir os passos da chefia, me dei conta que ainda não tinha falado do nosso trabalho por aqui.

Responsável por grande parte dos cartazes do cinema nacional, o trabalho do Studio Ana França Design é fino que só. Ana França e companhia, passeiam com propriedade por diversos estilos para atender aos variados temas abordados nos filmes.

O Studio está cheio de novidades e mudanças, sala nova, novo designer e novo site. Se você ainda não conhece o trabalho da Ana, definitivamente vale a visita.

nA Bolha

No último sábado, eu tive um dia adorável flanando pelo centro do Rio e terminei meu passeio na antiga fábrica da Bhering. Para ser mais precisa, tomando uma cerveja, comendo biscoito Globo e vendo a porradaria comer solta entre as pipas no terraço onde fica A Bolha Editora.

Projeto de Rachel Gontijo, A Bolha surgiu ano passado e publica e vende títulos nacionais e importados com o fino da literatura, quadrinhos e zines independentes. Tudo isso com um cuidado gráfico e carinho que vi poucas vezes. O que torna o fato dos livros serem entregues em embalagens de padaria, com os dizeres “feito com carinho” e “servimos bem para servir sempre” mais do que acertada.

São muitos caixotes amarelos recheados de guloseimas visuais, mas o livreto que ganhou meu coração logo que cheguei lá foi Vá para o Diabo, do argentino Federico Lamas. Além dos desenhos serem turbo bacanas, você ainda tem direito a acessar a visão do capeta utilizando o “visor infernal” que vem junto com o livro.

epílogo

Nesses últimos dias tenho visto muitas coisas interessantes sobre livros então decidi aproveitar essa semana e postar tudo que li sobre o tema.

Para começar o documentário Epilogue: The Future of Print, um filme adorável feito por Hanah Ryu Chung como projeto de graduação. No filme, Chung entrevista impressores, livreiros e artistas de Toronto que discutem e levantam questões sobre o futuro do impresso e do livro.

Esse debate já está rolando há alguns anos, desde a massificação da internet e o surgimento dos leitores eletrônicos, mas sinceramente eu acho que a palavra impressa tem uma natureza tátil e um charme que é difícil de substituir.

Herb Lubalin

O segundo livro que me fez tirar dinheiro do porquinho foi Herb Lubalin: American Graphic Designer, 1918–81. Eu já declarei meu amor pelo barbudo algumas vezes aqui no serrilha e essa admiração começou quando ele se tornou tema do meu projeto de conclusão na faculdade.

Para mim, Herb Lubalin junto com Saul BassPaul Rand e Alvin Lustig representam o fino do design americano.

Entre as coisas que aprecio no trabalho de Lubalin é que ele abandona regras básicas da tipografia e enxerga os caracteres como formas e comunicadores de mensagens.

A tipografia é arranhada, dobrada, rasgada para transmitir uma ideia ou introduzir o inesperado à página impressa. Em seus typograms, conceito e forma visual eram unidos em breves poemas tipográficos.

Lubalin argumentava: “Nós fomos condicionados a ler da maneira que Gutenberg organizava seus tipos, e por quinhentos anos as pessoas vêm lendo letras excessivamente espacejadas em linhas horizontais, que Gutenberg espacejava muito distantes umas das outras… Nós lemos palavras, não caracteres, e colocar as letras mais próximas ou apertar o espaço entrelinhas não destrói a legibilidade; simplesmente muda os hábitos de leitura”.

Herb Lubalin: American Graphic Designer, 1918–81 foi escrito por Adrian Shaughnessy e publicado pela Unit Editions, são 448 páginas ilustradas por centenas de trabalhos de Lubalin. Se você também quer ser feliz, é possível comprar o livro aqui.

p.s. Eu não perderia a oportunidade já que o último livro sobre o designer foi lançado em 1985. O clássico raro é vendido em leilões esporádicos e a preços absurdos via ebay.

o design de Bea Feitler

Dois livros lançados semana passada fizeram minha mão coçar. O primeiro deles foi O Design de Bea Feitler publicado pela Cosac Naify.

Escrito e organizado pelo historiador Bruno Feitler e com análise gráfica de André Stolarski, o livro tem importância histórica não só por trazer a tona o trabalho pouco conhecido da designer aqui no Brasil como também, reflete um pouco da época de atuação de Bea.

Bea Feitler estudou na Parsons School of Design em Nova York e em seu retorno ao Brasil trabalhou rapidamente na revista Senhor, fez cartazes para teatro e produziu capas de livro para a Editora do Autor. De volta a Grande Maçã, foi trabalhar como assistente na revista de moda Harper’s Bazaar sendo promovida a codiretora de arte aos 25 anos.

Além da Bazaar, Bea esteve envolvida com diversas revistas, entre elas a Rolling Stone, Vanity Fair e a Ms., revista do movimento de liberação feminina durante a décade de 70.

Feitler utilizava a tipografia para fazer narrativas visuais e tinha um olhar afiado para o uso da fotografia, tanto na produção como na edição de imagens. Bea morreu aos 44 anos deixando um corpo de trabalho impressionante, vale a compra com certeza.