Serrilha - Coisas que me deixam feliz

o design de Bea Feitler

Dois livros lançados semana passada fizeram minha mão coçar. O primeiro deles foi O Design de Bea Feitler publicado pela Cosac Naify.

Escrito e organizado pelo historiador Bruno Feitler e com análise gráfica de André Stolarski, o livro tem importância histórica não só por trazer a tona o trabalho pouco conhecido da designer aqui no Brasil como também, reflete um pouco da época de atuação de Bea.

Bea Feitler estudou na Parsons School of Design em Nova York e em seu retorno ao Brasil trabalhou rapidamente na revista Senhor, fez cartazes para teatro e produziu capas de livro para a Editora do Autor. De volta a Grande Maçã, foi trabalhar como assistente na revista de moda Harper’s Bazaar sendo promovida a codiretora de arte aos 25 anos.

Além da Bazaar, Bea esteve envolvida com diversas revistas, entre elas a Rolling Stone, Vanity Fair e a Ms., revista do movimento de liberação feminina durante a décade de 70.

Feitler utilizava a tipografia para fazer narrativas visuais e tinha um olhar afiado para o uso da fotografia, tanto na produção como na edição de imagens. Bea morreu aos 44 anos deixando um corpo de trabalho impressionante, vale a compra com certeza.

auto-enterro

Uma série de 9 fotografias mostrando um homem sendo gradualmente enterrado foram exibidas no canal de TV Alemã WDR 3 entre 11 e 18 de outubro de 1969. As fotos eram mostradas sem nenhum anúncio ou explicação 2 vezes por dia: logo após o telejornal, às 20:15, e às 21:15, no meio de qualquer programa que estivesse sendo apresentado.

Após 1 semana, uma entrevista com o artista inglês Keith Arnatt solucionava o mistério. Fascinado pelo desaparecimento como objeto de arte e pelos trabalhos criados em meio a natureza que não deixavam nenhum rastro de sua presença, nas palavras do próprio Arnatt nada mais apropriado do que o eventual desaparecimento do próprio artista. Uma abordagem bem literal, mas não menos interessante da desmaterialização da arte.

Self Burial é um dos trabalhos que mais gosto de Arnatt, mas o seu corpo de trabalho é todo permeado por um senso de humor perspicaz que torna suas obras imperdíveis.

no vagão

A série Subway, feita pelo fotógrafo Bruce Davidson na primavera de 1980 no metrô de Nova York é impressionante. As fotos são um retrato da realidade da cidade na época. Tempo em que os vagões eram dominados pelo grafite e pela falta de segurança.

Nesse vídeo feito pela Tate, lugar onde descobri o autor das fotos que circulavam pelos tumblrs, Davidson fala da sua proposta com as fotos: transformar o metrô de um lugar degradado, impessoal e violento em imagens que passassem as cores e vitalidade das pessoas que ele transportava diariamente.

A série Subway rendeu um livro publicado em 1986 e re-editado ano passado em comemoração aos seus 25 anos.

visto no sempre ótimo The Casual Optimist.

*bônus* Com uma abordagem menos profissional e bem humorada, o Soninho do Trem do meu amigo Wolmin retrata o pessoal dormindo nos trens, ônibus e metrôs do Rio.

em quase todas as fotos

Publicados pela KesselsKramer Publishing, braço editorial da agência de publicidade KesselsKramer, os livros In almost every picture, são de dar gosto. São livretos recheados com fotografias cotidianas compradas em mercados de pulga –  imagens que foram esquecidas, reencontradas e reinterpretadas.

Entre meus favoritos estão os números 6 e 7 que mostram o passar do anos para duas mulheres de maneira distinta.

Em um deles acompanhamos a trajetória de uma mulher, de 1936 até 2009, com uma arma na mão. A cada vez que acerta o alvo no estande de tiro do parque de diversões ela ganha uma foto.

No outro, a biografia é contada através de fotos em preto e branco tiradas em uma cabine. As imagens nos mostram a mesma pessoa por cerca de 60 anos e apesar das suas mudanças físicas sua expressão se mantém a mesma.

p.s. estou enrolando com esse post desde 27 de março, que vergonha! Em tempo, o blog da Creative Review tem uma ótima matéria sobre Erik Kessels.

jamel shabazz

Recheadas de B-boys com seus tênis Adidas, chapeuzinhos Kangol e óculos de aro preto, as fotografias de Jamel Shabazz capturam o espírito de uma época e nos transportam para os anos de surgimento da maior cultura musical desde o rock’n'roll: o hip-hop.

Esse ano, o diretor do clássico sobre graffiti Wild Style, Charlie Ahearn, presta sua homenagem a Shabazz e a seus fotografados que ajudaram a definir a imagem do hip-hop antes mesmo de ter essa denominação.

Veja, aqui embaixo, o trailer do documentário Jamel Shabazz: Street Photographer.

1000km

Como já mencionei antes, meu pai é completamente obcecado por corrida e com o GP Brasil acontecendo em alguns dias, acho acertado um post relacionado a isso.

Esse editorial bonito demais foi feito pelos austríacos do Atelier Olschinsky durante a 1000km disputada na Red Bull Ring. As fotos cheias de vazio e cores esmaecidas serão publicadas na revista Nevertheless, um projeto independente do estúdio com publicação semestral.

procurando stanley

Apesar das diferentes épocas e lugares em que são situados Lolita, Laranja Mecânica, Barry Lyndon, Nascido para Matar e De Olhos Bem Fechados todos, sem exceção, foram rodados na Grã-Betanha. Isso, graças ao medo de avião e a antipatia pelo esquema de Hollywood do diretor Stanley Kubrick.

Essa informação foi o ponto de partida do fotógrafo Neil Hall que saiu em busca das locações dos filmes do cineasta para fazer suas fotos. Hall nos apresenta os cenários como palcos vazios em seu projeto Looking for Stanley Kubrick.

lua e espaço

Anteontem fez 42 anos que o homem pisou na lua e ontem, depois de 30 anos, o programa de ônibus espaciais americano chegou ao fim com o pouso do Atlantis. Como eu sou obcecada por espaço aqui fica meu post especial de lua e do espaço.

Primeiro, as fotos feitas por Dan Winters do lançamento do Discovery para matéria de Al Reinert para a Texas Monthly. E em seguida, dois vídeos: um com o homem pisando pela primeira vez na lua e o outro é uma compilação de imagens dos ônibus espaciais.

eu sou um cliché

Com curadoria de Emma Lavigne do Centre Culturel Georges Pompidou, na França, começa hoje no CCBB-RJ a exposição I am a Cliché – Ecos da estética punk. A mostra reúne uma seleção de 150 fotos, colagens, instalações e obras que fazem referência à estética punk e ao ideal do faça você mesmo.

Entre as peças estão fotografias de Patti Smith feitas por Robert Mapplethorpe, os vídeos de Andy Warhol com o Velvet Underground e as capas dos Pistols feitas por Jamie Reid. Com direito a uma loja de vinil, salas recobertas com papel prateado como as paredes da Factory e música bem alta, a exposição fica em cartaz até outubro e é imperdível.