Serrilha - Coisas que me deixam feliz

fully booked

Nesse vídeo feito pela Gestalten TV em 2008 para divulgar o livro Fully Booked: Cover Art and Desgin for Books, a editora entrevista o designer David Pearson, responsável pela série Great Ideas da Penguin e o diretor de arte da Penguin Jim Stoddart.

O livro Fully Booked contém uma seleção de projetos que, não só são graficamente consistentes e sofisticados, como também experimentam com as páginas impressas e vão além dos limites do design de livro convencional levando o design editorial a outro patamar.

nA Bolha

No último sábado, eu tive um dia adorável flanando pelo centro do Rio e terminei meu passeio na antiga fábrica da Bhering. Para ser mais precisa, tomando uma cerveja, comendo biscoito Globo e vendo a porradaria comer solta entre as pipas no terraço onde fica A Bolha Editora.

Projeto de Rachel Gontijo, A Bolha surgiu ano passado e publica e vende títulos nacionais e importados com o fino da literatura, quadrinhos e zines independentes. Tudo isso com um cuidado gráfico e carinho que vi poucas vezes. O que torna o fato dos livros serem entregues em embalagens de padaria, com os dizeres “feito com carinho” e “servimos bem para servir sempre” mais do que acertada.

São muitos caixotes amarelos recheados de guloseimas visuais, mas o livreto que ganhou meu coração logo que cheguei lá foi Vá para o Diabo, do argentino Federico Lamas. Além dos desenhos serem turbo bacanas, você ainda tem direito a acessar a visão do capeta utilizando o “visor infernal” que vem junto com o livro.

epílogo

Nesses últimos dias tenho visto muitas coisas interessantes sobre livros então decidi aproveitar essa semana e postar tudo que li sobre o tema.

Para começar o documentário Epilogue: The Future of Print, um filme adorável feito por Hanah Ryu Chung como projeto de graduação. No filme, Chung entrevista impressores, livreiros e artistas de Toronto que discutem e levantam questões sobre o futuro do impresso e do livro.

Esse debate já está rolando há alguns anos, desde a massificação da internet e o surgimento dos leitores eletrônicos, mas sinceramente eu acho que a palavra impressa tem uma natureza tátil e um charme que é difícil de substituir.

nos letreiros

Handpainted type é um projeto bacana do designer Hanif Kureshi que busca preservar a arte dos pintores de letreiros na Índia. Os letreiros fazem parte da paisagem indiana junto com o trânsito caótico e a exuberância de cores.

Muitos pintores tem abandonado seu ofício, ameaçados pela facilidade e rapidez de produção dos bureaus que fazem banners de qualidade duvidosa e sem nenhum charme.

Kureshi não apenas documenta como também digitaliza as tipografias dando metade da renda obtida com a venda da fonte para o pintor e utilizando a outra metade para a manutenção do projeto.

O bacana é que ao invés de oferecerem variações de peso, as fontes possuem diferentes níveis de cores e ornamentos se aproximando assim da aparência original da tipografia nos letreiros com tridimensionalidade, sombras e contorno bem marcado.

Herb Lubalin

O segundo livro que me fez tirar dinheiro do porquinho foi Herb Lubalin: American Graphic Designer, 1918–81. Eu já declarei meu amor pelo barbudo algumas vezes aqui no serrilha e essa admiração começou quando ele se tornou tema do meu projeto de conclusão na faculdade.

Para mim, Herb Lubalin junto com Saul BassPaul Rand e Alvin Lustig representam o fino do design americano.

Entre as coisas que aprecio no trabalho de Lubalin é que ele abandona regras básicas da tipografia e enxerga os caracteres como formas e comunicadores de mensagens.

A tipografia é arranhada, dobrada, rasgada para transmitir uma ideia ou introduzir o inesperado à página impressa. Em seus typograms, conceito e forma visual eram unidos em breves poemas tipográficos.

Lubalin argumentava: “Nós fomos condicionados a ler da maneira que Gutenberg organizava seus tipos, e por quinhentos anos as pessoas vêm lendo letras excessivamente espacejadas em linhas horizontais, que Gutenberg espacejava muito distantes umas das outras… Nós lemos palavras, não caracteres, e colocar as letras mais próximas ou apertar o espaço entrelinhas não destrói a legibilidade; simplesmente muda os hábitos de leitura”.

Herb Lubalin: American Graphic Designer, 1918–81 foi escrito por Adrian Shaughnessy e publicado pela Unit Editions, são 448 páginas ilustradas por centenas de trabalhos de Lubalin. Se você também quer ser feliz, é possível comprar o livro aqui.

p.s. Eu não perderia a oportunidade já que o último livro sobre o designer foi lançado em 1985. O clássico raro é vendido em leilões esporádicos e a preços absurdos via ebay.

o design de Bea Feitler

Dois livros lançados semana passada fizeram minha mão coçar. O primeiro deles foi O Design de Bea Feitler publicado pela Cosac Naify.

Escrito e organizado pelo historiador Bruno Feitler e com análise gráfica de André Stolarski, o livro tem importância histórica não só por trazer a tona o trabalho pouco conhecido da designer aqui no Brasil como também, reflete um pouco da época de atuação de Bea.

Bea Feitler estudou na Parsons School of Design em Nova York e em seu retorno ao Brasil trabalhou rapidamente na revista Senhor, fez cartazes para teatro e produziu capas de livro para a Editora do Autor. De volta a Grande Maçã, foi trabalhar como assistente na revista de moda Harper’s Bazaar sendo promovida a codiretora de arte aos 25 anos.

Além da Bazaar, Bea esteve envolvida com diversas revistas, entre elas a Rolling Stone, Vanity Fair e a Ms., revista do movimento de liberação feminina durante a décade de 70.

Feitler utilizava a tipografia para fazer narrativas visuais e tinha um olhar afiado para o uso da fotografia, tanto na produção como na edição de imagens. Bea morreu aos 44 anos deixando um corpo de trabalho impressionante, vale a compra com certeza.

auto-enterro

Uma série de 9 fotografias mostrando um homem sendo gradualmente enterrado foram exibidas no canal de TV Alemã WDR 3 entre 11 e 18 de outubro de 1969. As fotos eram mostradas sem nenhum anúncio ou explicação 2 vezes por dia: logo após o telejornal, às 20:15, e às 21:15, no meio de qualquer programa que estivesse sendo apresentado.

Após 1 semana, uma entrevista com o artista inglês Keith Arnatt solucionava o mistério. Fascinado pelo desaparecimento como objeto de arte e pelos trabalhos criados em meio a natureza que não deixavam nenhum rastro de sua presença, nas palavras do próprio Arnatt nada mais apropriado do que o eventual desaparecimento do próprio artista. Uma abordagem bem literal, mas não menos interessante da desmaterialização da arte.

Self Burial é um dos trabalhos que mais gosto de Arnatt, mas o seu corpo de trabalho é todo permeado por um senso de humor perspicaz que torna suas obras imperdíveis.

arestas e fronteiras

Apesar de já estar circulando há algum tempo pela internet, ainda não tinha tido tempo de assistir a palestra do designer Craig Mod na Build Conference do ano passado.

No domingo, separei 40 minutos para ouvir Mod falar sobre as diferenças físicas e emocionais entre livros impressos e digitais, a importância da sensação de curadoria em meio a abundância de conteúdo e abordagens para o futuro das publicações físicas e digitais. Vale cada minuto!

karel martens

Continuando na onda holandesa, um vídeo com o designer Karel Martens feito para a série Profiles do Submarine Channel.

Um dos maiores expoentes do design holandês, Martens fundou junto com Wigger Bierma a Werkplaats Typografie, escola de tipografia experimental pioneira.

Seu apreço pela experimentação transpassa seus trabalhos, nos mostrando uma lógica interna que guia suas construções e escolhas de cor, forma e texturas.